Esta crônica é uma obra meramente ficcional, qualquer semelhança com pessoas, lugares ou fatos reais é mera coincidência. Os especialistas dizem que se carregar na boca, não deve carregar nos olhos. Estou falando de maquiagem. Ora, então, atualmente, temos uma tendência! Sim, meus olhos estão carregados de insatisfação, mas não de tristeza nem frustração, pois mesmo sabendo que a esfera da minha ação é quase nenhuma, ainda assim, seguindo firme no meu propósito de inspirar pessoas, de um modo ou de outro, mesmo que isto aconteça muito raramente, ainda que eu inspire uma única pessoa de tempos em tempos, ainda assim, me sinto realizada e cheia de felicidade por estar sendo quem sou, por viver e revelar-me tal como sou, sem máscaras! Mas sinto o peso de toda a opressão, de toda a imposição para que me anule, para que me vá morrendo aos poucos, como que sumindo, desaparecendo e tornando-me imperceptível, me desumanizando pouco a pouco. Mas que diabos! Como é possível existi...
A garganta em seus soluços Amarga tudo o que engulo E os olhos em plena seca Refletem o que vislumbro E quão profundo é o desalento De quem só se sente Sem ver futuro Imenso, inimaginável Como um plano obscuro Eis que o que bate aperta Até quase fazer parar E é quando o peito cessa De tanto esperar E assim finda a sorte De quem só faz desejar
Em ferida aberta Não se mexe não Só o tempo é capaz De calar um coração Mas o que ele diz Em cada batida Doída, quase falida De tanta paixão O que fazer da vida sem ela Que sempre devora a razão Só sobrando o descompasso Desse pobre coração Amar, amar e amar É pura equação É lógica intrínseca De todo o coração
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