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Mostrando postagens com o rótulo Crônicas da Quarentena

Tom Escarlate

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Esta crônica é uma obra meramente ficcional, qualquer semelhança com pessoas, lugares ou fatos reais é mera coincidência. Os especialistas dizem que se carregar na boca, não deve carregar nos olhos. Estou falando de maquiagem. Ora, então, atualmente, temos uma tendência! Sim, meus olhos estão carregados de insatisfação, mas não de tristeza nem frustração, pois mesmo sabendo que a esfera da minha ação é quase nenhuma, ainda assim, seguindo firme no meu propósito de inspirar pessoas, de um modo ou de outro, mesmo que isto aconteça muito raramente, ainda que eu inspire uma única pessoa de tempos em tempos, ainda assim, me sinto realizada e cheia de felicidade por estar sendo quem sou, por viver e revelar-me tal como sou, sem máscaras! Mas sinto o peso de toda a opressão, de toda a imposição  para que me anule, para que me vá morrendo aos poucos, como que sumindo, desaparecendo e tornando-me imperceptível, me desumanizando pouco a pouco. Mas que diabos! Como é possível existi...

Maldição

Esta crônica é uma obra meramente ficcional, qualquer semelhança com pessoas, lugares ou fatos reais é mera coincidência.         Há três meses estou isolada. E o que mudou? Nada! Sempre estive só, mas agora me vejo impossibilitada de camuflar a obviedade de minha vida que é a verdade de que ao longo de quase meio século não consegui construir boas relações de amizade nem manter os vínculos das relações familiares, cujos efeitos profundos me foram nada saudáveis, e todos a quem amei se distanciaram de mim ou talvez nunca tenham se aproximado de fato e suas lembranças para mim não passam de fragmentos da minha imaginação, daquilo que eu gostaria que tivesse acontecido, de como eu gostaria que as coisas tivessem sido, mas que simplesmente não foram nem de longe tal como desejei.      Hoje, em meio ao medo generalizado de ter a vida abreviada por conta de um vírus, de uma gripe com graves consequências ou apenas por conta da crueldade do ser humano ...

A Micose Chinesa

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Esta crônica é uma obra meramente ficcional, qualquer semelhança com pessoas, lugares e fatos reais é mera coincidência. Naquele dia, lá pelas 4 da tarde, o telefone tocou: — Alô. — E aí, irmãozinho, tudo bem com você? Você sumiu das redes, mando mensagem e nada. Como é que está a vida aí no seu bunker ?  — Opa, quem é vivo sempre aparece, ou liga. Como é que você está? Esses dias, estava pensando em vocês aí. Como estão se virando? — Ah, rapaz, está complicado, esse negócio de dar aulas em casa é um saco, se por um lado a gente não tem que acordar cedo, pegar carro e enfrentar um trânsito dos diabos, a gente acaba trabalhando muito mais, porque são tantos os detalhes que haja paciência. Além do mais, ficar preso desse jeito é terrível, a gente vai ficando num estado de nervos que nem dá para falar. — É, meu amigo, é uma loucura o que estamos vivendo, mas me conte, vocês estão podendo ir ao mercado, ir de uma cidade à outra ou a cana está mesmo dura? — Aqui eles fize...

Ato Final

Eu sempre imaginei como seria o meu último dia neste mundo de Deus. Para falar a verdade, nunca pensei que seria um dia triste para mim, mas sim um dia um tanto nostálgico, porque sendo eu quem sou, seria inevitável olhar para trás sem me lamentar pelas coisas que não terminei ou que simplesmente deixei para lá, embora soubesse que rapidamente esta nostalgia, este mar de lamentações cederia espaço para uma última apreciação daquilo pelo qual realmente vale a pena viver. Sempre tive a certeza de que saberia exatamente o dia da minha morte e que nesse dia, pouco antes do ato final, sozinha estaria numa praia sentada na areia de frente para o mar num fim de tarde quente e alaranjado sentindo pela última vez o meu cheiro preferido, que é o cheiro de maresia, e que ao inspirar profundamente esse cheiro dos mares, ganharia uma sobrevida até que pudesse voltar para casa, preguiçosamente, para só então dar um fim nisso lá pela madrugada, que para mim sempre fora a melhor hora para pôr um f...