É, de fato, o que acontece quando ficamos por muito, muito tempo na escuridão, bem longe da luz do dia ou de qualquer luz que nos permita ver as coisas tais como são, é que nos acostumamos a tatear e a viver no equívoco como se fosse perfeitamente normal. Mas, a medida que vai clareando, começamos a ter um ligeiro vislumbre das partes e de tudo o que se apresenta, sendo muito comum que ainda nos equivoquemos por pura falta de clareza, por pura incapacidade de perceber o que está à volta e, justamente por isto, é perfeitamente justificável nossas falhas. Quando a luz nos é revelada aos poucos, temos tempo de nos acostumar sem que sua clareza nos machuque, nos fira os olhos, mas quando é de repente, como um flash, que contrariando o próprio sentido da palavra, perdura a nossa volta, em nossas retinas, em nossas mentes, em nossas almas, como que nos invadindo por completo, tomando conta do mundo e atuando como a própria revelação, num primeiro momento nos fere, faz com que cerre...