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Ato Final

Eu sempre imaginei como seria o meu último dia neste mundo de Deus. Para falar a verdade, nunca pensei que seria um dia triste para mim, mas sim um dia um tanto nostálgico, porque sendo eu quem sou, seria inevitável olhar para trás sem me lamentar pelas coisas que não terminei ou que simplesmente deixei para lá, embora soubesse que rapidamente esta nostalgia, este mar de lamentações cederia espaço para uma última apreciação daquilo pelo qual realmente vale a pena viver. Sempre tive a certeza de que saberia exatamente o dia da minha morte e que nesse dia, pouco antes do ato final, sozinha estaria numa praia sentada na areia de frente para o mar num fim de tarde quente e alaranjado sentindo pela última vez o meu cheiro preferido, que é o cheiro de maresia, e que ao inspirar profundamente esse cheiro dos mares, ganharia uma sobrevida até que pudesse voltar para casa, preguiçosamente, para só então dar um fim nisso lá pela madrugada, que para mim sempre fora a melhor hora para pôr um f...

O Alimento Nosso de Cada Dia

Quem aí está sentindo falta daquela pessoa com quem era normal ter longas conversas regadas a cafezinho e guloseimas? Quem está com saudade de dar uns bordejos e marcar aquele encontro no fim da tarde com os amigos só para jogar conversa fora? Eu não sei quanto a vocês, mas eu sim! Uma das coisas que gosto de fazer é preparar aquele bolo caseiro, assar aquele paõzinho de queijo especial, passar aquele café, cujo o aroma é ainda melhor do que seu próprio sabor, e sentar-me à mesa com aquela pessoa querida para falar da vida, dar risadas e saciar a gula, que se partilhada nunca é um pecado - pensemos assim! Sei que nada está como antes e até duvido que nossas vidas voltem a ser exatamente do mesmo jeito, mas acredito que tudo o que vemos se revelar nesse mundão é fruto dos conflitos internos do homem e nada mais. É, eu sei que estou simplificando as coisas, ou talvez seja você que não está alcançando o meu pensamento, vá lá saber. Só sei que esse é mesmo o tipo de assunto para se te...

Medo da Morte

Que tormento Meu lamento é só porque Os dias se demoram E a noite, sozinha Mesmo ao teu lado Sofro quieta, calada Pelo tempo que nos escapa E assim adentrando a madrugada Tal tormento me faz acordada Até que exausta me entrego Àquele que nos dá alento No escuro em breves momentos Onde tudo se torna possível Sonho por toda a madrugada Para não me ver morrer acordada

Beijo

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E enfim chegou o carnaval! Época de fantasiar, de se apaixonar, de curtir, de se divertir. De grandes amores e poderosos tambores. De exageros e desesperos que, no fim, nos levam à cinzas em plena quarta-feira. Mas no meio desse caminho, entre um confete e uma serpentina, uma irresistível tentação. E o resultado de corpos suados em meio à multidão só pode ser um beijo molhado. Luluca, a poetisa, adverte, divirta-se com moderação. Beijo Molhado, temperado E nada mais vejo Fecho os olhos E me entrego totalmente A esse anseio Línguas invasivas Nada fere, só excita E me rendo ao deleite Morno para quente Um suar frio, um agrado O calor que agora sente É de um beijo molhado

As Cores da Dor

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