Postagens

Até Breve

Provavelmente, vocês já devem saber que morreu hoje aos 82 anos, de câncer, o neurocientista e escritor britânico Oliver Sacks, quem não passou pelo mundo sem deixar sua marca. Ele foi autor de "Tempo de despertar" (1973) que foi adaptado para o cinema em 1990, aliás eu recomendo que assistam a esse filme com Robin Williams e Robert De Niro, também escreveu "O Homem que confundiu sua mulher com um chapéu" (1985) e "Um antropólogo em Marte" (1995). Enfim, um homem brilhante. Ele me inspirou e é pra ele que eu faço essa pequena homenagem: Até Breve  A quem partiu  sem que eu dissesse adeus  A quem, como o vento,  tocou a mim,  eu, uma poeira insignificante  levada adiante  por entrelinhas tão brilhantes,  percebo agora que  é a brevidade  o que une todos nós  Então, digo apenas até breve  ao bem-aventurado que parte  inspirando quem deixou pra trás.

A Garota e o Passageiro

"Este lugar está vago?" "Sim, claro" - disse a garota sorrindo enquanto retirava suas coisas do assento. "Com licença" - sentou-se o homem. "Desculpe" - complementou a moça. "Tudo bem." "É uma longa viagem para se fazer em pé" - disse a garota tentando ser simpática. "Com certeza. Ainda mais depois de um dia de trabalho." "Verdade" - concordou a moça e, depois de uma breve pausa, perguntou: "Se importaria se conversássemos um pouco? É que eu estou fazendo uma pesquisa para a faculdade sobre como é envelhecer." "Ah, você reparou?" "Reparou o quê?" "Que eu sou velho." "O senhor não é velho." "Mas você me chamou de senhor." "Por educação. Nós não nos conhecemos e o senhor, quer dizer, você é mais velho do que eu." "Está vendo, "mais velho" do que você." "Eu não quis dizer..." "Tudo bem"...

Janelas da Alma

Imagem
Há um tempo atrás, participei de um concurso de fotografia na Galeria Starte da Globo. Escolhi algumas das fotos que tirei quando viajava por Portugal e pela Escócia. Fotografia me diz muito, pois é uma visão instantânea daquilo que nos toca profundamente. Pelo menos é assim que sinto. Nem toda foto é perfeita, porque nem sempre estamos tão sensíveis. Mas quando tudo conspira a favor, é como ler uma poesia, que com poucas palavras diz tudo o que sentimos lá no fundo do nosso ser. Com as fotos é como se uma janela se abrisse no nosso interior. Para mim, as fotografias são como verdadeiras janelas da alma que desvendam nossos anseios mais profundos, revelando um pouco de nós. Espero que vocês gostem.

Muda

Se vem de fora ou de dentro não sei Apenas anseio e sei que é pro meu bem Se é de casa ou de vida ou se é o destino que impõe Oh dança fatídica em ritmo de lamentações Se é chegada ou partida Oh vida bandida Por que nos dá e nos tira Nessa roda que gira e gira, e gira Mas não a tema pois é só na ciranda que ela vem E pode trazer riso e prosa e pranto também Surpresas e glória e até o amor de alguém Se é de dentro ou de fora não se preocupe que um dia ela vem

Amiga de todas as horas

Não sei por que sofremos tanto diante de nossas perdas. Se perdemos dinheiro, ficamos aborrecidos. Se perdemos um objeto qualquer, ficamos chateados. Se perdemos um amor, ficamos de coração partido. E se perdemos alguém querido para a morte, ficamos literalmente sem chão, tristes demais, sem saber como seguir adiante. Acho que isso acontece com muitas pessoas, se não com a maioria. Por mais que a gente tente se preparar para a morte, quando chega o momento, simplesmente nos deparamos com a nossa falta de estrutura emocional. E não deveria ser assim, pois se formos parar para pensar, já nascemos perdendo. Sim! E não se trata de uma visão negativa da vida. Ao contrário! Veja, no nascimento, perdemos o aconchego do útero de nossa mãe. Ao longo de nossas vidas perdemos um dia de cada vez. Perdemos a infância, a adolescência, a juventude, e assim vai. Então o que nos derrota não são as perdas, pois deveríamos estar bastante acostumados a elas que fazem parte das nossas vidas. O que...