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Muda

Se vem de fora ou de dentro não sei Apenas anseio e sei que é pro meu bem Se é de casa ou de vida ou se é o destino que impõe Oh dança fatídica em ritmo de lamentações Se é chegada ou partida Oh vida bandida Por que nos dá e nos tira Nessa roda que gira e gira, e gira Mas não a tema pois é só na ciranda que ela vem E pode trazer riso e prosa e pranto também Surpresas e glória e até o amor de alguém Se é de dentro ou de fora não se preocupe que um dia ela vem

Amiga de todas as horas

Não sei por que sofremos tanto diante de nossas perdas. Se perdemos dinheiro, ficamos aborrecidos. Se perdemos um objeto qualquer, ficamos chateados. Se perdemos um amor, ficamos de coração partido. E se perdemos alguém querido para a morte, ficamos literalmente sem chão, tristes demais, sem saber como seguir adiante. Acho que isso acontece com muitas pessoas, se não com a maioria. Por mais que a gente tente se preparar para a morte, quando chega o momento, simplesmente nos deparamos com a nossa falta de estrutura emocional. E não deveria ser assim, pois se formos parar para pensar, já nascemos perdendo. Sim! E não se trata de uma visão negativa da vida. Ao contrário! Veja, no nascimento, perdemos o aconchego do útero de nossa mãe. Ao longo de nossas vidas perdemos um dia de cada vez. Perdemos a infância, a adolescência, a juventude, e assim vai. Então o que nos derrota não são as perdas, pois deveríamos estar bastante acostumados a elas que fazem parte das nossas vidas. O que...

Hora do recreio

No final do mês passado, recebi um convite pelo Facebook para participar de um encontro de ex-alunos da minha escola. “Puxa, que máximo!” - pensei. “Uma ótima oportunidade de rever o meu colégio e pessoas que eu não vejo faz séculos.” Então, liguei pra uma amiga daqueles tempos, com a qual mantenho contato até hoje, pra que ela fosse comigo. Uma companhia é sempre bom. A chata, como era de se esperar, disse: “Ah, esses encontros costumam ser tão sacais... Um querendo mostrar que está melhor que o outro. Ah... não vou, não.” Que absurdo! Como pode uma pessoa reagir assim a um evento desses? Tudo bem que a gente não era popular e que o nosso grupo não era tão unido assim, mas aquelas pessoas com as quais convivemos foram importantes na nossa vida de um modo ou de outro. Então pensei: Quer saber, vou sozinha. Aliás, essa atitude é uma das coisas que aprendi com um pessoal da Rússia que conheci há tempos atrás. Eles não precisam de “turminha” pra se divertir. Conclusão, fui. Cheg...

Escrever e pensar

Eu sempre achei que tivesse muito a dizer, mas agora que tenho esse blog estou começando a perceber que não é bem assim. Acontece que quando se escreve algo a ser publicado, a responsabilidade aumenta e, então, passamos a ser bem mais críticos com o que a gente pensa. Afinal, escrever, mesmo que seja para um blog, não é como um papo de bar, onde as pessoas estão ali a fim de, literalmente, jogar conversa fora, sem nenhuma preocupação, porque provavelmente uma semana depois ninguém irá se lembrar com detalhes do que foi dito. Outro dia me lembrei de um amigo que dizia: “Ah, eu não tenho mais saco de ouvir bobagem. Quer falar o que pensa pra mim? Ótimo, então, escreve. É, coloca tudo no papel, porque escrever não é nada fácil. A gente tem que pensar no que está querendo dizer. E aí, minha filha, o número de besteiras se reduz muito. E isso é maravilhoso.” Sabe, eu penso que ele estava com a razão. Quanto a mim, é claro que continuo tendo opinião pra tudo. Isso é mais fort...

Cabeça de juiz e bunda de neném...

Quem é que nunca ouviu falar disso? O pior é que é a mais pura verdade. Os juízes jovens, então, são os mais alucinados. Pois é, o mensalão me fez lembrar de um “causo”. Outro dia entrei no juizado especial contra uma grande loja de departamentos, acho que uma das mais antigas no mercado. Aconteceu o seguinte: comprei uma cama para o meu sogro, que, detalhe, tem 86 anos e, graças às minhas preces, se casou pela segunda vez. Fiz a compra na minha cidade, porém a entrega foi feita em outro município. Calma, até aí, tudo bem, pois meu sogro se mudou para a casa da sua nova esposa. Só que isso aconteceu quase que simultaneamente. Espera aí, vamos organizar: 1) Na terça-feira, dia 1 de setembro de 2009, comprei a cama com a condição de que seria entregue até no máximo dia 5. 2) No dia 4 de setembro, sexta-feira, levei meu sogro com sua mudança para a casa da sua nova esposa, uma senhora de 75 anos – se deu bem, arranjou uma garotinha. 3) Só pra deixar bem claro, a compra só foi feita por...